Resumo prático
O programa Minha Casa Minha Vida registrou crescimento de 29% no volume de financiamentos no primeiro semestre de 2026, alcançando R$ 79,4 bilhões. O destaque foi a faixa 3, com quase 50% de aumento, especialmente para imóveis usados.
O que aconteceu
Segundo levantamento da Abrainc com dados do portal do FGTS, o Minha Casa Minha Vida contratou 349 mil unidades no primeiro semestre de 2026. A faixa 3, destinada a famílias com renda entre R$ 5 mil e R$ 9,6 mil e imóveis de até R$ 400 mil, teve o maior crescimento, com o volume de financiamentos subindo de R$ 19 bilhões para R$ 28 bilhões, puxado principalmente pelo salto dos imóveis usados, que passaram de R$ 1 bilhão para R$ 10 bilhões. As faixas 1 e 4 também cresceram, enquanto a faixa 2 ficou estagnada. Regionalmente, São Paulo lidera com R$ 26 bilhões financiados, seguido por Goiás e Minas Gerais, apesar de retrações nestes últimos. O Nordeste apresentou crescimento consistente em estados como Bahia, Ceará, Pernambuco e Paraíba.
Por que isso importa
O crescimento do Minha Casa Minha Vida, especialmente na faixa 3 e no segmento de imóveis usados, indica uma mudança no perfil da demanda habitacional e no comportamento do mercado. O aumento dos financiamentos para imóveis usados pode sinalizar maior liquidez e oportunidades para corretores e imobiliárias focadas nesse nicho. A expansão desigual entre faixas de renda e regiões aponta para a necessidade de estratégias segmentadas e geograficamente adaptadas. Além disso, o reforço orçamentário do programa para 2026, o maior da série histórica, sugere continuidade e potencial de dinamização do mercado habitacional popular e de classe média.
Como isso afeta o corretor de imóveis
Corretores e gestores devem estar atentos ao crescimento da demanda por imóveis usados na faixa 3, que envolve famílias com renda intermediária. Isso exige conhecimento aprofundado do estoque de usados, capacidade de avaliação e negociação diferenciada, além de preparo para orientar clientes sobre financiamentos. A estagnação da faixa 2 reforça a importância de diversificar o portfólio e buscar oportunidades em segmentos com maior dinamismo. A concentração do mercado em São Paulo e o crescimento no Nordeste indicam que a atuação regional deve ser estratégica, considerando o perfil e o potencial de cada praça.
Ponto de atenção para o profissional
O avanço do Minha Casa Minha Vida em faixas de renda mais elevadas e no mercado de usados traz oportunidades, mas também exige atualização constante sobre regras de financiamento e análise criteriosa dos imóveis. Corretores devem investir em capacitação para atender clientes com perfis variados e em ferramentas que facilitem a gestão de carteira e o acompanhamento das condições de crédito. Além disso, a desigualdade regional e entre faixas de renda alerta para a necessidade de planejamento estratégico e adaptação às particularidades locais, evitando foco excessivo em segmentos estagnados.
Fonte original: portas — https://portas.com.br/noticias/imoveis-usados-crescimento-minha-casa-minha-vida-primeiro-semestre


